Segunda-feira, 30 de Novembro de 2009

Entrevista com Henrique Amaro (Antena 3) sobre o lançamento do "3 Pistas"

 

Graziela Costa – Como surgiu o projecto “3 Pistas”?

Henrique Amaro – O “3 Pistas” surgiu como uma espécie de rubrica dentro do “Portugália”, o programa que eu tenho na Antena 3 com vários objectivos, por exemplo desafiar os grupos a gravarem com poucos recursos. Actualmente nós quando tomamos contacto com as canções, estas já estão arranjadas, estão protegidas e às vezes esquecemo-nos, aliás até os próprios músicos se esquecem da semente dessas canções. Assim, quando restringimos os meios técnicos faz com que tudo isso venha ao de cima outra vez. Queria também perceber como uma canção pode ter quase que mil caras, isto é, eu posso compor uma canção que já foi feita e este disco trás muito disso e como é o caso da música "Esta Balada Que Te Dou" que o Armando Gama compôs à muitos anos e que levou ao Festival da Canção aqui revisto pelos Pontos Negros, uma banda que na altura possivelmente eram bebés em 83 ou se calhar nem tinham nascido. Quando eles se apropriam dessa canção, esta ganha uma outra direcção, não necessariamente melhor ou pior, mas diferente, portanto foi essencialmente isso que eu quis com o “3 Pistas” para além de poder ser um momento de rádio diferente.

 

Graziela Costa – Houve algum critério na escolha das bandas?

Henrique Amaro – Não, foi puramente o gosto pessoal que tenho por elas e a necessidade de os desafiar a fazer algo diferente, porque ouvindo o disco, em vinte participações não se pode considerar que seja um disco só de bandas rock ou outro estilo em particular. Eu acho que este disco é até um pouco uma montanha russa, começa com os Clã e acaba com o Tiago Guillul, depois passa pelos Pontos Negros, vai aos d3ö, aos Mundo Cão e ao Noiserv. Enfim, gostei mais de jogar com a variedade do que naquela ideia de “não só bandas de…”, porque são todas bandas que eu considero de música popular. Acho que a música pop é a linha que os une a todos e que porque consequente chega a mais pessoas…

 

Graziela Costa – Eu reparei que todas as bandas tocaram 3 originais e uma versão, porquê esse conceito?

Henrique Amaro – Os originais têm a ver com aquilo que falávamos à pouco, conhecermos os discos, alguns, apenas os singles desses discos e tentarmos fazer o exercício de perceber como é que aquela canção que nós conhecemos daquela forma resulta com um modo de gravação mais simples. As versãos surgem por eu gostar muito de versões e por achar que acima de tudo, além de ser um exercício artístico para as próprias bandas acho que, é divertido para quem ouve. Há uma referência que eu tenho na minha cabeça que é o Johnny Cash, que nos últimos quatro discos, quase todos tinham versões e há duas que eu acho que são fenomenais, uma é o “One” dos U2 feito em apenas voz e guitarra e o “Hurt” dos Nine Inch Nails, portanto há esse gozo, há um lado divertido e emocional de percebemos como determinado grupo tomou conta de uma canção e isso, quer do ponto de vista, de espectáculo ou em disco é cativante.

 

Graziela Costa – Qual é a tua música favorita no álbum?

Henrique Amaro – Tenho várias. Se calhar vou ficar pelas duas últimas que me chegaram e que eu coloquei já meio à pressa. Gosto muito da versão que o At Freddy’s House fez, até por ser um músico desconhecido e que eu não conheço pessoalmente, mas vou conhecê-lo daqui a pouco porque falamos muito por telefone mas ainda não o conheço pessoalmente. A versão que ele fez de piano e voz para o “Dancing in The Dark” do Bruce Springsteen, é uma descarga de electricidade e esta é uma canção que foi muito popular em Portugal e no resto do mundo, é um clássico dele. Perceber como é que aquela canção resulta apenas em piano e voz, é surpreendente, eu como ouvinte fiquei surpreendido. Depois há outra que eu também gostei que é uma versão que o Noiserv fez do “Where Is My Mind” dos Pixies, que é uma banda e uma canção que fizeram parte da minha juventude e então há esse lado emocional, não só por respeitar e gostar muito da volta que o David fez para essa canção, mas também pelo simbolismo que a canção traz para mim.

 

* Texto e foto para Jornal Mundo Universitário


publicado por Graziela às 15:54
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