Quinta-feira, 15 de Outubro de 2009

Entrevista Noiserv - Continuação

Graziela Costa – Tens agora uma remistura da “Tokyo Girl” pelo Dollboy como é que surgiu isso?

 

David Santos – Lá está, isso foi outra vez aquela ideia que eu te estava a dizer á bocado, de ir conhecendo várias pessoas. Através de uma loja em Londres onde eu tenho o disco à venda consegui ter o contacto da tal editora da Escócia que editou o vinil e através da editora da Escócia, conheci o Dollboy, pq ele é um músico amigo deles. E propuseram-me “Olha o que é que achas de fazermos um vinil? É que eu tenho um amigo que é mais electro, que achas dele remisturar uma música tua?” Porque o vinil, no lado A é a minha música e no lado B a remistura dele. Epá eu mais uma vez disse, "porque não?"

 

Graziela Costa – É que a música está totalmente diferente da tua. O que é que achas disso? Como te sentes em relação à tua música assim alterada, talvez diferente do que tu se calhar imaginavas?

 

David Santos – Eu acho que uma pessoa, pelo menos a mim acontece-me, ou seja, eu ao fazer uma música é com muito custo que eu as consigo ouvir como um simples espectador, portanto a mim já me faz confusão quando oiço as próprias músicas que eu faço. Então ouvir a remistura dele acaba por ser um bocado o mesmo. Ouço um pouco mais como sendo uma música de outra pessoa, mas, a partir do momento em que entra a minha voz e os meus instrumentos aquilo baralha-me de tal forma que eu consigo dizer “Pá, acho que está engraçado, principalmente porque está completamente diferente.” e acho que dentro do género que é acho que tem qualidade. Portanto, acho que sim, não vejo como um ultraje. Achei piada quando ele me mostrou, achei muito fixe.

 

Graziela Costa - Estive a ouvir o álbum e reparei uma coisa, o nome das letras, por exemplo a “Welcome Party”, a “Consolation Prize” e a “For The Ones Who Left Me” estão relacionadas? Aliás o nome do álbum "One Hundred Miles From Thoughtlessness", é um caminho que tu percorreste, ou seja, o que é querias dizer com este título? 

 

David Santos – A ideia do título do álbum é exactamente aquele percurso que eu estava a dizer à bocado ou seja, isto em 2005 quando começou era uma coisa muito simples, nada pensada, feita de um dia para o outro, gravada de outro dia para outro, enviada e logo se vê. Quando decidi fazer um disco mais complexo, foi quase como uma viagem a afastar-me desse objectivo que parecia muito simples, até a capa do disco que é tipo um bloco de notas, é como se fosse o bloco de notas dessa tal viagem. Então a própria música a “Welcome Party” é como se fosse o inicio dessa viagem e tudo o resto é tudo o que me foi acontecendo. Imaginário ou real que me foi acontecendo durante estes três anos.

 

Graziela Costa – Quando eu falei contigo em Aveiro à alguns meses atrás tu disseste-me que tinha sido a tua prima a fazer as ilustrações do álbum, como surgiu isso? Foi ela que tipo ouviu o teu álbum e pensou nas ilustrações ou tu deste-lhe alguma ideia do que querias?

 

David Santos – Ela é minha prima, mas é uma prima mesmo muito próxima, quase como se fosse minha irmã, eu tenho 27 e ela tem 26 portanto nós vivemos sempre juntos desde pequenos e eu sempre a chateei com música e ela sempre me chateou com desenhos. Já na capa do ep também tinha sido ela a fazer a capa e nessa altura foi “Pá ó Diana preciso de uma capa, faz-me aí um boneco qualquer para eu mandar.” Então quando pensei em fazer um disco mais complexo e mais sólido nunca me passou pela cabeça arranjar outro tipo de capa, porque ela tinha conseguido com a primeira capa uma identidade para o projecto que era aquele bonequinho que supostamente era eu. Então a partir daí achei que faria sentido dar continuação aquele boneco e aquele mundo que ela tinha criado... e para o próximo disco que faça irei sempre contar com ela porque acho que consegui uma identidade não só musical mas também visual.

 

Graziela Costa – Qual é a mensagem que queres transmitir com este álbum?

 

David Santos – Eu acho que quando é o projecto só de uma pessoa a pessoa pode ter grandes mensagens tipo grandes manifestações e grandes ilusões, mas acho que quando não é assim, quando uma pessoa não tem uma ideia assim tão vincada, em termos políticos e esse tipo de coisas, acho que ao ser um projecto de uma pessoa só, aquilo acaba por ser um pouco aquilo que nós somos. Portanto eu não tinha uma ideia de transmitir isto ou aquilo. As músicas foram saindo dos momentos em que eu estava em determinado estado de espírito e ao juntar tudo aquilo acaba por ser um bocado do que eu fui e tenho sido durante estes três anos. Por isso, é que eu fico espantado quando me dizem que gostam das minhas músicas porque se gostam das músicas então gostam de mim, porque aquilo não é nada mais do que aquilo que eu sou nem tenta ser nada mais e a mensagem acaba por ser essa, se calhar até de uma forma um pouco egoísta, ou seja, não tento com as letras ou com o disco mexer ninguém para fazer nada. Não é uma cena para motivar ninguém a fazer nada é apenas uma maneira de eu expressar aquilo que sinto e as próprias letras algumas vezes acabam por ser conflitos individuais muito grandes, outras vezes histórias tristes ou felizes que me aconteceram. Mas sempre tudo muito centrado em mim tanto que o álbum acaba um pouco por ser eu próprio.

Graziela Costa – Nas tuas influências no Myspace tens como número os Radiohead é a tua banda favorita?

 

David Santos – É assim, não sei se é a banda favorita, mas é a banda com a qual eu aprendi a gostar dos efeitos extra acústicos. A banda com a qual eu comecei a ficar fascinado com uma série de instrumentos, porque há uma série de sites na internet onde tens listagens dos milhares de instrumentos que eles têm, portanto a partir daí foi a banda que com a qual eu comecei a aprender que a música não é só o que nós ouvimos, mas é tudo aquilo que ao ouvirmos, tipo todos os arranjos que conseguimos interpretar, que a pessoa quando ouve sem estar com atenção parece que é só um bombo, mas se ouvires com atenção a música tem uma série de pormenores. É a banda com a qual eu me identifiquei mais por todos os arranjos e por todo o cuidado que eles têm à volta das músicas de se poder assemelhar muito aquilo que eu possa vir a fazer ou já tenha feito e além disso, claro que gosto muito da voz dele, gosto muito das músicas que eles fazem. Não sei se é a grande influência, mas é a influência que eu mais admiro.

 

Graziela Costa – Á muito tempo que se fala dos Radiohead virem a Portugal, imagina que te chamavam para fazeres a primeira parte do concerto deles?

 

David Santos – Isso é uma daquelas coisas que eu costumo dizer isso era um dos meus sonhos, mas acima de tudo fazer uma música com o Thom Yorke.

 

Graziela Costa – Eu outro dia vi um concerto teu e tocaste duas músicas novas, já fazem parte do novo álbum?

 

David Santos – Não está nada gravado, mas são ideias, uma delas já é mesmo uma música terminada que irá fazer parte do novo disco que eu espero começar a gravar em Janeiro, porque este disco tem tido até bastante receptividade das pessoas, têm surgido uma série de concertos e então decidi até para facilitar um pouco a questão da agenda e a questão da minha disponibilidade para poder gravar novas músicas, até ao fim do ano continuar a promover o cd e a partir do fim do ano acabar com os concertos e em Janeiro começar a gravar o disco com ideias de o editar no fim do próximo ano.

 

Graziela Costa – Participaste também no Novos Talentos Fnac.

 

David Santos – Sim, com outros dois projectos. Com o outro projecto que tenho com a minha namorada que se chama Kids On Holidays e com uma banda que tenho com uns amigos meus que se chama You Can’t Win Charlie Brown. São projectos um bocadinho… Lá está, como eu te estava a dizer à bocado eu gosto muito de música e de tudo o que envolva música e o Noiserv acaba por ser um bocadinho tão egocêntrico, egoísta e tão centrado em mim próprio que acaba por ás vezes me massacrar demais e em vez de ser por prazer completo na música acabas por “Não isto tem de transmitir aquilo que eu sinto” portanto se não estou a conseguir isto vai ficar mal então tenho muitas indecisões e muito perfeccionismo. Sabe bem, então manter esses outros projectos nos quais apenas desfruto mais o momento e a música que estamos a fazer é aquela música que se está a fazer naquele momento, como não tenho tanto perfeccionismo é quase como se fosse uma terapia para depois no outro projecto mais centrado em mim conseguir se calhar fazer melhores coisas.

 

Graziela Costa – Tu tens aquela coisinha. Eu achei muita piada, que é uma luz…

 

David Santos – Ah o candeeiro. Sim sim.

 

Graziela Costa – Foste tu que fizeste?

 

David Santos - É assim aquele candeeiro e eu nem devia dizer isto. Aquele candeeiro, foi um candeeiro que eu na minha viagem de finalistas no 12º ano, portanto já foi para aí à dez anos ou à nove, não à sete anos para aí. Sete anos sete anos. Foi um candeeiro que um amigo meu, roubou em Palma de Maiorca roubou da parede e na altura ele arrancou aquilo e pá, tipo tinha posto aquilo na mala dele, mas depois quando estávamos a vir embora disse “Epá isto não cabe na mala vou deixar aqui” e eu na altura pensei, mas já que já tiraste isso vou levar essa porcaria, então pus aquilo na minha mala e trouxe para cá. Depois aquilo esteve uma série de tempo lá no armário sem fazer nada e na altura em que comecei a dar os primeiros concertos achei que faria sentido uma vez que o nome ainda por cima não é assim tão simples de dizer, podia ter algo em que o nome estivesse sempre exposto para a pessoa poder até fixar o nome e poder até ir ganhando alguma intimidade com o nome, depois já não sei porquê lembrei-me que tinha aquele candeeiro e que podia ser engraçado fazer algo como uma saída de emergência em que o nome seria aquele. E depois acabei por ser eu próprio a construir aquilo, aquela folha de acetato imprimida e colada ali.

 

Graziela Costa – Pois, achei piada e fica muito bem nas fotos.

 

David Santos – A ideia era também, conseguir criar um cenário extra à música.         

 

Obrigada ao David Santos pela entrevista que estará publicada no Fendamel a partir de 16/10/1009    

 


publicado por Graziela Costa às 18:45
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